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Quando tudo depende de como você é visto

  • Foto do escritor: rmbazeth
    rmbazeth
  • há 13 horas
  • 1 min de leitura



Há pessoas que vivem como se estivessem sempre um pouco expostas.


Mesmo em situações comuns, existe uma atenção contínua ao efeito que causam.

Não exatamente por escolha.

Quase como um modo aprendido de permanecer em relação com o mundo.


Aos poucos, muita coisa começa a passar por esse filtro invisível.


O que pode ser dito.

O que convém mostrar.

O que talvez decepcione.

O que precisa ser sustentado para continuar ocupando um certo lugar diante dos outros.


Nem sempre isso produz conflito evidente.

Às vezes, inclusive, funciona.


A pessoa aprende cedo a perceber ambientes, antecipar expectativas, ajustar o próprio modo de estar.

Pode parecer segurança.

Pode parecer maturidade.

Mas existe um custo em precisar se observar o tempo inteiro.


Porque sustentar uma imagem exige vigilância.

E vigilância contínua raramente combina com espontaneidade.


Em alguns momentos, a pessoa até consegue aquilo que buscava: aprovação, reconhecimento, admiração.

Mas isso não encerra a tensão.

Às vezes, apenas aumenta a necessidade de manter o lugar conquistado.


Existe uma solidão específica em viver muito próximo da expectativa dos outros.


Não porque o outro deixe de ser importante.

O problema não está em desejar reconhecimento.

O problema começa quando a própria experiência perde consistência sem ele.


Nem sempre é fácil perceber quando a vida foi sendo organizada em torno dessa dependência silenciosa.


Ela pode se confundir com maturidade.

Com autoconsciência.

Com cuidado.

Com ambição.

E, em certa medida, talvez também seja tudo isso.


Mas há momentos em que a pergunta deixa de ser “o que esperam de mim?”e começa, ainda sem resposta clara, a tocar outra coisa:


“o que sobra quando ninguém está olhando?”








 
 
 

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